INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SANTOS PASSA POR INTENSA REFORMULAÇÃO INTERNA

Projeto da diretoria é transformar o primeiro piso em área expositiva moderna, servindo de embrião para o Museu Histórico de Santos

O piso do salão logo depois de tirado o carpete, depois da primeira raspagem e após o trabalho concluído.

O velho casarão da avenida Conselheiro Nébias, 689, sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, está passando por mais uma grande reformulação interna. Depois de ter seu embasamento melhorado, com limpeza de piso, instalação de rampas, pintura das salas e criação de sala para o serviço de digitalização de periódicos, livros e documentos, agora é a vez do primeiro pavimento passar por total modificação

A primeira delas aconteceu em março, com a retirada de todo o carpete das salas frontais, do salão nobre e da sala da presidência. Depois, o tratamento de recuperação do piso de madeira nobre, que foi resgatado graças à doação de R$ 5 mil feita pelo advogado Manoel Guino, presidente da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio. Ele foi todo raspado e limpo, antes de receber o tratamento com bona, que recuperou sua vivacidade, após anos escondido debaixo de carpete. Em paralelo, a arquiteta Jaqueline Fernandez Alves e seus parceiros – o arquiteto Demontier Meireles Vasconcelos e a restauradora Amanda Guerra – descobriram, por debaixo de cinco camadas de tinta, um “tesouro” histórico artístico, de 1915, nas paredes do casarão sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Eles devem ser em breve resgatados na forma de uma “janela do tempo”, que servirá para mostrar aos visitantes como eram as paredes do casarão no início do século 20 (lembrando que o imóvel foi construído em 1886, sendo o mais antigo de Santos fora do Centro Histórico).

Em fevereiro foram descobertas pinturas artísticas com mais de cem anos atrás de seis camadas de tinta nas paredes do salão.

Em seguida, o presidente do IHGS, Sergio Willians, conseguiu obter parceria com a família Barroso, da Engeplus Engenharia, que viabilizou a recuperação estrutural das paredes de alvenaria de todo o primeiro piso. “Falei com o Roberto (Barroso) e ele se sensibilizou à nossa causa cultural. A Engeplus está realizando o trabalho sem cobrar nada para o Instituto. Com certeza, quando este espaço estiver pronto, iremos agradecer da melhor forma, por meio de exposições culturais históricas, inclusive da memória da Engeplus e tudo o que eles já fizeram pela cidade”, disse o presidente. Para poder fazer o trabalho, todos os quadros, placas e adornos foram retirados das paredes, estão sendo catalogados e terão um destino ainda avaliado pela diretoria. A proposta é fazer com que o hall de entrada, a sala de reuniões, a sala da presidência, o corredor central e o salão nobre passem a serem utilizados como área expositiva, para fazer o Instituto Histórico e Geográfico potencializar sua missão estatutária, de preservar e difundir as histórias de Santos, São Paulo, Brasil e mundial. “Vamos ter um espaço moderno, com monitores de LCD nas paredes que farão a função dos painéis de imagens. Também vamos investir em expositores modernos, vitrines e tudo o que for necessário para tornar o nosso IHGS na maior referência de espaço para conhecer a história santense”, afirmou Sergio Willians, que já está em busca de parceiros para a viabilização da pintura e da compra dos monitores de TV, um deles inclusive de 75 polegadas, que será instalado na antiga sala da presidência. “Eu não preciso de sala neste momento. Precisamos fazer do IHGS um museu moderno, vivo, pujante. As áreas administrativas não podem tomar conta do casarão. A sala da presidência será transformada num ambiente intimista, para exposição audiovisual, com uma tela de 75 polegadas e som estéreo. Ao entrar nela, o visitante vivenciará uma experiência bacana, aprendendo a história por meio de filmes e animações, algumas podendo até serem interativas”.

IHGS está estruturando campanha para a viabilização do Museu Histórico de Santos

Campanha “Juntos, Vamos Contar a Nossa História”

Sergio Willians falou ainda sobre a campanha que seria lançada em março, para a viabilização do Museu Histórico de Santos. Intitulada “Juntos, Vamos Contar a Nossa História”, a campanha abrigará várias ações, incluindo a arrecadação de fundos coletivos para a criação de um painel artístico externo em mosaico, com mais de 250 mil pastilhas. Porém, em razão da pandemia de Covid-19, a campanha foi congelada momentaneamente. “Vamos esperar essa situação passar para retomarmos nossa estratégia. Agora, a meta é inaugurar toda essa ideia, estrutura, etc, em setembro de 2022, para coincidir com as comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil. Afinal de contas, Santos é protagonista, por meio de José Bonifácio de Andrada e Silva, desta maravilhosa conquista”, concluiu.

 

Piso da Sala São Paulo recuperado
Imagens do piso recuperado: Sala Djanira Bouças, Hall de Entrada, Salão Nobre, Sala da Presidência, Corredor Central e Salão Nobre.

Pinho de Riga

Durante as prospecções para a obra civil, descobrimos que todo o madeiramento da casa foi feito com “Pinho de Riga” (também conhecido como Pinheiro da Escócia), uma madeira européia trazida de Portugal, que é raríssima. Para valorizar este material e o imóvel, a diretoria decidiu retirar a tinta de batentes e portas, começando pelo batente de acesso do hall para o salão nobre. O trabalho está sendo minuciosamente realizado pelo artista plástico Ricardo Campos Mota, o Rica (autor de várias esculturas da cidade, como o Peixe da entrada da cidade). Este processo será feito aos poucos, por ser delicado.

Um dos batentes está sendo revelado em suas formas originais. Todo as madeiras de portas, rodapés, esquadrias e janelas são feitas em Pinho de Riga, uma madeira nobre e extremamente rara.
Alguns fios estão sendo embutidos nas paredes. A revelação do sistema construtivo, em pedras, será valorizado com a criação de uma janela de visualização.
Em meados de abril o Instituto iniciou a intervenção civil, com a eliminação de trincas, rachaduras, rebocos moles, entre outras imperfeições, preparando as paredes do primeiro piso para a pintura.